terça-feira, 14 de outubro de 2008

domingo, 12 de outubro de 2008

Empréstimos podem atingir 10% do PIB em cinco anos, prevê Abecip

Finanças - Fernando Travaglini

Mesmo com o forte avanço do crédito imobiliário nos últimos anos, o saldo total do sistema, na casa dos R$ 37 bilhões, ainda é pequeno em relação ao total de crédito no Brasil. Estudo do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad) mostra que essa proporção é de 1,7% em relação ao PIB (com dados anteriores a revisão do IBGE).
 
O valor é bastante inferior aos outros países emergentes, como África do Sul (14%), Chile (13%) e México (9%). A diferença para os países mais ricos é ainda maior. Na Holanda, a proporção é de 111%, ou seja, o volume de crédito habitacional supera todo o produto interno bruto.
 
A baixa relação reduz também a proporção do volume de crédito total em relação ao PIB, no Brasil perto de 35% e inferior a países como África do Sul (141%) e Chile (63%). Mas a perspectiva é bastante favorável na opinião do presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Décio Tenerelo. "A retomada do crédito continua numa velocidade interessante e temos potencial para atingir 10% do PIB nos próximos cinco anos", avalia.
 
Esse percentual, lembra o analista do Inepad, Marcel Artoni de Marco, já foi atingido no final dos anos 90. "Isso foi antes da criação da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), que assumiu a parte podre do crédito imobiliário da Caixa (cerca de R$ 30 bilhões) e passou a cobrar essas dívidas", explica. Para ele, a tendência no longo prazo é de aproximação da média mundial, em torno de 30% do PIB, já que este tipo de financiamento tem crescido acima do restante do crédito. Em 2005, avançou 61% e no ano passado subiu 92%.
 
Com as mudanças legais ocorridas nos últimos anos e a criação da exigibilidade, que obriga os bancos a direcionaram 65% da poupança para esses financiamentos, as instituições entraram com força no segmento. A líder Caixa Econômica Federal pretende conceder mais de R$ 17 bilhões no ano, acima dos R$ 14 bilhões de 2006.
 
Outros bancos também devem crescer. O Itaú afirmou recentemente que nos próximos 10 anos, o crédito imobiliário deverá representar cerca de 10% dos resultados do banco. Já o Banco do Brasil espera apenas a aprovação do Banco Central em setembro para começar a atuar.
 
Segundo o analista do Inepad, também responsável pelo estudo, Vinicius Martins Castilho, a inadimplência é algo que preocupa o setor. "Pelo estudo, vimos que é mais comum o atraso nas carteiras de crédito imobiliário comparando com outras carteiras". A porcentagem de bons pagadores no setor público é de apenas 3%, com a inadimplência acima de 90 dias na casa dos 10% da carteira. Nos empréstimos de instituições privadas, a adimplência é de 29% e pula para 70% nas concessões de estrangeiros.
 
O crescimento da oferta, no entanto, não é suficiente para ampliar a proporção em relação ao PIB. Para o diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Storfer, o grande problema é a renda disponível da população. "Temos um binômio perverso, com baixa relação de crédito em relação ao PIB e empréstimos extremamente caros", afirma.
 
Para Tenerelo, o crescimento da renda da população de 5% no ano passado, acima dos 3,9% do IPCA, "mostra que estamos no caminho certo", mas alerta para a necessidade de se fazer alguns ajustes legais e operacionais. Segundo ele é preciso avançar mais para que se fomente inclusive a participação dos investidores institucionais por meio da compra de securitização dos recebíveis. Ele afirma que a padronização dos contratos, para possam ser facilmente negociáveis no mercado já deve ser adotada neste semestre.

Análise do Comportamento Organizacional numa Empresa do Ramo Imobiliário

ANALISE DO COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL NUMA EMPRESA DO RAMO IMOBILIÁRIO: Estudo de Caso da Imobiliária “Rio Doce Imóveis”.

 

FACULDADES PEDRO LEOPOLDO

MPA – MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO

DISCIPLINA: Comportamento Organizacional

ALUNO: José Carlos Dias Pereira

PERÍODO: Agosto e Setembro de 2006

 

RESUMO

 

Este trabalho analisa o comportamento organizacional em uma empresa de pequeno porte, do ramo imobiliário. Teoricamente revisou-se a literatura disponível e a pesquisa constou do estudo de caso da empresa. A análise de resultados indica um processo ainda em inicio, não possuindo uma estrutura devidamente formada para a Gestão do Conhecimento. Os meios mais usados para difundir as informações e o conhecimento são as reuniões internas semanais e os treinamentos esporádicos. Deduz-se que a empresa realmente não adotou ainda um posicionamento claro para gerir o Conhecimento.

Palavras-chave: Gestão do conhecimento, Comportamento Organizacional e Mercado Imobiliário.

  

1. INTRODUÇÃO

 O objetivo deste trabalho é analisar a gestão do conhecimento em uma pequena empresa do ramo imobiliário. Pesquisou-se como o conhecimento é visto e tratado dentro da organização. Fez-se uma revisão bibliográfica de alguns dos principais autores da atualidade sobre o assunto. De posse dos principais conceitos difundidos sobre a gestão do conhecimento, efetuou-se uma intensa observação durante a primeira semana do mês de outubro de 2006, comparando a teoria com o que realmente acontece dentro da empresa. As rotinas da empresa foram acompanhadas com atenção e interesse sobre os aspectos de gestão do conhecimento. O trabalho levou a algumas observações que parecem bastante significativas, quanto à necessidade da empresa de um estruturado sistema de gestão do conhecimento, e das resistências que a empresa encontra no sentido de implantá-lo. Sugere-se ao final um trabalho de consultoria para levantamento das reais

necessidades da empresa e um eficiente assessoramento na implantação da gestão de conhecimento na empresa.

 

2. A GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS EMPRESAS

 

Stewart (1998) afirma que o conhecimento é hoje o principal componente do que fazemos. Assim, administrá-lo tornou-se a tarefa mais importante da atualidade. É considerada a forma mais eficiente de se gerar uma vantagem competitiva sustentável para a empresa. Tudo tem-se desmaterializado, e hoje o maior componente de qualquer produto ou serviço é composto em sua quase totalidade de conhecimento. O maior custo das empresas é a com a capacidade mental das pessoas. Ainda segundo Stewart (1998), essa nova economia baseada no conhecimento exige novos tipos de habilidades, e estas transformações ainda não atingiram o seu auge. Assim entender o conhecimento é fundamental para o sucesso das empresas (DAVENPORT & PRUSAK, 1998); e talvez para a sobrevivência das organizações. Nonaka e Takeuchi (1997) propõem que as empresas devem criar novos conhecimentos, e que isto não é apenas uma questão de aprender com os outros ou adquirir conhecimentos externos; o conhecimento deve também ser construído por si mesmo, exigindo um trabalho intenso de toda a organização. Afirmam que só o conhecimento consiste em fonte segura de vantagem competitiva neste cenário de mudanças rápidas, incertezas e globalização. Contudo, grande parte de nossos administradores não compreendem ainda o real valor do conhecimento; e mesmo aqueles que se dão conta, não encontraram ainda um formato seguro de como lidar com a Gestão do Conhecimento. O termo Gestão do Conhecimento é muito abrangente, e os diversos autores que escrevem sobre o assunto, têm cada um sua própria definição sobre o tema. Segundo Davenport e Prusak (1998), o conhecimento é uma combinação de experiência condensada, que proporciona um arcabouço propício para avaliação e inclusão de novas experiências e conhecimentos. Conforme Nonaka e Takeuchi (1995) afirmam, as quatro maneiras de conversão de conhecimento precisam ser administradas de forma articulada e periódica, e chamam a isto de os quatro processos da “espiral de criação do conhecimento”. A conversão do conhecimento pessoal em recurso disponível para outras pessoas é hoje o trabalho principal da empresa criadora de conhecimento. O conhecimento explícito é formal e sistemático. Portanto podem ser facilmente compartilhados através de descrição de produtos, serviços, normas, formulários de trabalho, máquinas e programas de computador. Já o conhecimento tácito é essencialmente pessoal sendo de complexa formalização, e sua transferência muito difícil. Stewart (1998) afirma que as organizações que querem administrar o seu conhecimento têm que definir resolver estes problemas:

- estabelecer uma estratégia para os ativos de conhecimento;

- parte dos ativos intangíveis é tácita e devem ser identificadas e divulgadas para uso.

O fato de o lucro gerado pelos ativos intangíveis não ser facilmente observável leva as pessoas não darem atenção que ele merece (STEWART, 1998).

 

3 - METODOLOGIA

 

Além da revisão bibliográfica utilizou-se o método de estudo de caso. A observação informal foi o processo utilizado. De acordo com Mattar (2001, p.23) a observação informal em pesquisa exploratória é a capacidade natural das pessoas de observarem o comportamento ao seu redor. Ainda segundo o autor, esta observação no dia-a-dia é chamada de observação informal não dirigida, e a percepção do que é observado é muito pequena.                                 

 

4 - ESTUDO DE CASO

 

Este estudo foi realizado numa empresa do ramo imobiliário, em Belo Horizonte/MG. A imobiliária “Rio Doce Imóveis” iniciou suas atividades no ano de 1990. Seu negócio é a venda de imóveis principalmente na região da Pampulha.  A escolha da empresa se deu em conseqüência das facilidades que o autor deste trabalho possui junto à empresa. As principais observações foram:

1)      O principal volume de informações da empresa está concentrado em seu cadastro de imóveis disponíveis para venda. Cada imóvel é minuciosamente descrito e juntamente com suas fotos devidamente armazenados em computadores. Estas informações ficam também disponíveis na Internet para atrair os possíveis clientes e nos diversos terminais espalhados na empresa para consulta dos corretores enquanto preparam o atendimento aos clientes e durante o atendimento propriamente dito. É muito importante que estas informações estejam sempre atualizadas e que os usuários saibam como recuperá-las com precisão e rapidez, pois disto depende o sucesso da venda. Mas por mais minucioso que seja a descrição dos imóveis devidamente gravadas nos meios eletrônicos, isto não dispensa dos corretores o conhecimento in loco dos imóveis, pois entre ler a descrição de um imóvel e conhecê-lo pessoalmente tem-se uma eficiência muito maior com a segunda opção.

2)      A empresa utiliza um dos melhores softwares imobiliários conhecidos no mercado (da empresa Universal Software), e que possui excelentes recursos para interação com os clientes e com os usuários internos em geral. Entretanto, o programa não vem sendo devidamente alimentado. Desta forma o que se aprende com os clientes fica apenas na cabeça de cada corretor, e não é repassada a organização para que todos possam tirar melhor proveito.

3)      Neste programa existem rotinas para registro de todas as interações com o cliente, inclusive reclamações e pontos de satisfação do cliente. Entretanto os corretores não gostam de efetuar tal trabalho, perdendo-se assim uma gama gigantesca de informações úteis para melhorar o atendimento e produtividade.                             

4)      Os trabalhos de telemarketing visam um melhor relacionamento, acompanhamento e aprendizado com clientes, e é muito cobrado pela empresa. Entretanto os corretores não se dão conta da importância de tal trabalho, e o pouco que fazem neste sentido ocorrem apenas para satisfazer a supervisão da empresa, não gerando assim um ganho propriamente para todos.

5)      A empresa participa de várias entidades que ajudam na sua visibilidade junto ao mercado e que julga extremamente vantajosa na troca de experiências. No caso em questão a empresa citou:

a)      A IMAP, que é uma associação das 16 maiores imobiliárias da região da Pampulha. Esta associação efetua reuniões mensais para troca de experiências e solução de vários problemas em conjunto.

b)      A Rede Morar, que é uma associação de imobiliárias que nasceu em Belo Horizonte, e vem se expandindo por todo o estado. É uma rede voltada mais para os negócios. As empresas associadas compartilham através de um software especial os imóveis a venda e clientes. Realiza também reuniões mensais em moldes semelhantes aos da IMAP, trazendo inclusive experiências de outros estados, como as experiências do SECOVI, que é o maior sindicato da área imobiliária da América Latina.

c)      O CRECI, que é o órgão fiscalizador das empresas da área imobiliária, que no bojo de sua atividade reguladora, termina trazendo também uma boa estrutura de trabalho para os seus inscritos.

d)     SINDIMÓVEIS é o sindicato que abriga a categoria dos corretores de imóveis. Este órgão tem um departamento jurídico com o objetivo de auxiliar os associados, e é o que mais realiza cursos de treinamentos voltados para a categoria.

e)      CMI – Câmara do Mercado Imobiliário de Belo Horizonte é uma entidade de natureza patronal, que reúne todas as empresas do ramo imobiliário de Belo Horizonte. Realiza também muitos treinamentos e faz uma atividade de lobby junto a Prefeitura, Estado e Câmara dos Deputados, em todos os projetos de interesse da categoria.

6)      Uma grande parte da troca de informações é feita em reuniões semanais, principalmente nas segundas-feiras pela manhã. Geralmente parte do objetivo destas interações é fazer com que todos os corretores fiquem bem informados à respeito dos imóveis que estão anunciados nos jornais de domingo. Há nestas reuniões uma intensa troca de informações, uma vez que alguns corretores conhecem parte dos imóveis e outros conhecem uma outra parte. São discutidas ainda técnicas de vendas e experiências de trabalho ocorridas durante a semana anterior.

7)      Sempre que se tem conhecimento de treinamentos externos dentro da área de interesse da empresa, os funcionários e corretores são incentivados a participarem, com a empresa custeando os respectivos eventos. Observa-se, entretanto uma grande resistência por parte dos corretores em participarem destes treinamentos. A empresa considera esta resistência um grande problema, pois os corretores por serem profissionais autônomos não podem ser obrigados a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Isto representa uma grande desvantagem para a empresa, pois os profissionais vão ficando com seus desempenhos defasados, vendem menos e a empresa tem de aumentar os seus custos com anúncios e outras ações visando atrair mais clientes.

8)      A empresa sente que precisa adotar um programa de gestão do conhecimento para ter como preparar melhor o seu pessoal.

9)      A empresa sempre estabelece metas de vendas que aumentam a cada mês, mas ressente-se do fraco desempenho de seus corretores, justamente devido ao baixo nível de disseminação do conhecimento no seu dia-a-dia.

10)  A empresa possui uma boa estrutura de tecnologia da informação, mas ressente-se do mesmo ser mal utilizado em virtude do baixo nível de conhecimento de seus corretores para uma eficiente utilização do mesmo.

11)  Para a interação com os clientes, a empresa usa o telefone e a Internet.

12)  No tocante a segurança de algumas informações a empresa tem conhecimento de que alguns dados podem ser facilmente repassados a concorrentes através dos corretores, mas não tem uma solução de como evitar que isto possa acontecer.

 

5- ANÁLISE DOS RESULTADOS

 

Com base na análise teórica e as observações dentro da empresa pode-se inferir que:

- A empresa parece estar bem estruturada tecnologicamente;

- A captação, o tratamento, o armazenamento, a disseminação e avaliação de conhecimentos estão muito deficientes na empresa;

- A empresa tem conhecimento de que precisa urgentemente adotar um programa de gestão do conhecimento, mas não conseguiu até agora adotar algo que realmente faça decolar seus planos nesta área.

 

6- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Conforme afirma a bibliografia, foi confirmado na observação em questão: efetuar mudanças é sempre difícil em qualquer organização. Todos sentem a necessidade das mudanças, mas ao ter que colocá-las em prática encontram-se muitas objeções. A empresa sente-se prejudicada pela falta de uma eficiente gestão do conhecimento junto ao seu pessoal, mas ainda não tomou uma decisão forte o suficiente para implantar a gestão do conhecimento em seus quadros. Este trabalho limitou-se a observar as questões básicas sobre a gestão do conhecimento na empresa, não havendo um trabalho de pesquisa mais profundo e estruturado. Mediante tudo que foi exposto, sugere-se um trabalho de consultoria que levante melhor suas necessidades e assessore a respectiva implantação da gestão do conhecimento na empresa.

 

 

 

 

7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

MATTAR, Fauze Nagib. Pesquisa de Marketing. São Paulo: Editora Atlas, 2001.

ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. Rio de Janeiro: LTC, 1999.

BOWDITH, James L., BUONO, Anthony F. Elementos de Comportamento Organizacional. São Paulo: Pioneira, 1992.

BERGAMINI, Cecília. Motivação nas Organizações. São Paulo:  Atlas, 1997.

WAGNER III, John A., HOLLENBECK, John R. Comportamento Organizacional. São Paulo: Ed. Saraiva, 1999.